De um lado, a sensação de segurança e o acesso facilitado a serviços e pequenas regalias sem pisar na rua. Do outro, a autonomia para viver como quiser. A escolha entre apartamento ou casa deve considerar, além da questão financeira, os hábitos dos moradores.
“O orçamento não é mais o fator decisivo. Nos últimos anos, surgiram novas variáveis. A mais importante delas é a escolha do estilo de vida que o morador quer ter”, diz o advogado Márcio Rachkorsky, especialista em condomínios e colunista da Folha.
Ele ressalta que viver em condomínios é a melhor opção para quem não se importa em seguir regras e dividir espaço. Quem tem horários incomuns pode ter dificuldade em se adaptar à vida em grupo. Nesse caso, a melhor opção é viver em casa.
“Se uma pessoa tem a rotina de trabalho invertida e chega de madrugada com frequência, por exemplo, é muito possível que ela faça barulho em horários indevidos e se torne um morador inconveniente. Morando em uma casa, há menos preocupação de incomodar vizinhos.”
“E, se preciso fazer algo fora de casa, tudo está a apenas uma breve caminhada de distância.” O único incômodo de Suely são as interações nem sempre amistosas com os vizinhos e o barulho das crianças, já que há muitas famílias com filhos de até 12 anos.
Foi desse tipo de dor de cabeça que a designer de interiores Eliane Granato, 45, decidiu se livrar ao construir a própria casa, em 1998, na Vila Prudente junto com o marido e as filhas.
Ela conta que o casal escolheu um terreno no meio do quarteirão, com uma vizinhança menos movimentada. “Nossa sensação de segurança vem da localização e da possibilidade de construir muros mais altos e instalar cercas elétricas”, afirma. “Além disso, por ser uma área mais afastada das grandes avenidas, não há o medo de estar sendo observado.”
Rachkorsky afirma que escolher uma casa não pode ser decisão de apenas uma pessoa na família. “É importante que cônjuges e filhos façam uma reunião para analisar o que será melhor para todos”, diz. “Juntos, devem decidir sobre a adaptação a um novo lugar e até sobre o bairro para onde a família se mudará.”
“Durante toda a minha vida, morei em casa e na Vila Prudente. Em 1998, eu e meu marido compramos um terreno na região para construirmos nossa casa do zero. Escolhemos fazer isso para montar tudo do nosso jeito. Investimos em segurança desde o início do projeto: compramos um terreno no meio do quarteirão, optamos por ficar um pouco mais distantes do comércio em que muitas pessoas poderiam nos observar entrando em casa, construímos muros altos e instalamos cercas elétricas”
Eliane Granato, 45, designer de interiores
“O condomínio em que moro, na Vila Leopoldina, permite que eu cumpra boa parte das tarefas do dia a dia sem precisar ir para a rua. Aqui tenho cabeleireiro, massagista, manicure e até feira à minha disposição. Os serviços vêm até mim por um valor que, embora eu não considere barato, acho justo pagar pela estrutura que tenho. Aqui tenho piscina aquecida, academia, churrasqueiras e espaço para lazer e caminhada. O segredo da boa convivência em prédio é a constante tolerância”
Suely Silveira, 52 anos, dona de casa
Fonte: Folha de São Paulo
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